90% dos casos de câncer colorretal ocorrem em pessoas com mais de 50 anos de idade

O Março Azul-Escuro (ou Março Azul-Marinho) é uma campanha que visa alertar a população sobre o câncer colorretal, cujos tumores têm início no intestino grosso, especificamente nas regiões chamadas de cólon, reto e ânus. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o registro de novos casos em 2020 foi de 20.470 entre as mulheres e 20.540 entre os homens. Noventa por cento deles são entre pessoas com mais de 50 anos de idade.

Segundo as médicas Alice Francisco e Gabriela Filgueiras Sales, dirigentes da ONG Maple Tree Cancer Alliance, esses tumores podem ser detectados precocemente por meio de dois exames: pesquisa de sangue oculto nas fezes e endoscopias (colonoscopia ou retossigmoidoscopias). “São indicados quando existem sintomas sugestivos ou em pessoas sem sinais, mas pertencentes a grupos de maior risco”, destaca a doutora Alice.

Os sinais mais comuns são: diarreia ou constipação; sangramento ao evacuar; anemia sem causa aparente; desconforto abdominal, com gases ou cólicas; sensação de intestino vazio ou vontade frequente de evacuar, mesmo com intestino vazio.

Esse tipo de câncer apresenta chances de cura que chegam a 90%, desde que ele seja diagnosticado precocemente. “O risco de uma pessoa desenvolver esse tipo de câncer durante a vida é de cerca de 5%, sendo que, aproximadamente, 70% dos tumores aparecem no cólon e 30% no reto”, explica a doutora Gabriela.

A maioria dos tumores dessa natureza tem origem em pólipos, pequenas elevações na parede do cólon ou do reto. Essas elevações crescem lentamente, o que permite que sejam identificadas e retiradas por meio da colonoscopia (um tipo de exame), antes de se tornarem tumores malignos.

De acordo com as especialistas, o câncer colorretal pode ser decorrente de dietas não balanceadas, ricas em carnes vermelhas e processadas e gorduras; sedentarismo; obesidade; tabagismo; e alcoolismo.

O tratamento dos tumores em estágios iniciais é menos agressivo e consiste em cirurgia. Em algumas situações, é necessário o tratamento quimio e radioterápico, mesmo antes de procedimentos cirúrgicos ou complementares.