Brasil deve ter quase 90 milhões de idosos em 2050, prevê OMS

Em 24 de março, celebra-se o Dia do Gerontólogo, profissional que direciona seu conhecimento e trabalho à atuação com idosos. Em 2019, o Brasil contava com 28 milhões de pessoas nessa faixa etária, de acordo com dados do IBGE. Isto representa 13% da população. Mais adiante, em 2050, a expectativa é que este número chegue a triplicar, segundo projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Para que os idosos de hoje e do futuro tenham qualidade de vida, é necessário que tenham acesso ao atendimento e acompanhamento médico necessários. Neste sentido, há dois profissionais que podem auxiliar – o geriatra e o gerontólogo. Apesar de serem confundidos com frequência, eles têm papeis muito distintos.

“A diferença básica envolve as idades [atendidas] e os objetivos do tratamento”, esclarece o doutor Guaraci Antônio dos Santos Barroso, geriatra e médico de família, integrante do corpo clínico da Unimed Sorocaba. “A geriatria é a fase preventiva e visa à prevenção do envelhecimento patológico – isto é, acompanhado de doenças – ou, ainda, buscando o controle adequado das mesmas, antes que haja lesões mais severas em órgãos-alvo”, pontua. “A gerontologia, por sua vez, engloba o atendimento àqueles que já são idosos, para que possamos realizar o acompanhamento [de sua saúde como um todo] ou em eventuais patologias já desenvolvidas.”

“Que você viva até os 120 anos”

Em festas judaicas, é comum saudar o aniversariante com a frase “Que você viva até os 120 anos”. Até algum tempo atrás, os centenários eram restritos ao Livro dos Recordes. Hoje, porém, eles estão em quantidade muito maior na sociedade. De acordo com o censo de 2019, 24.236 brasileiros já haviam soprado cem velinhas.

O doutor Guaraci comenta sobre este fato: “No campo físico, a humanidade está envelhecendo espetacularmente melhor. Basta se lembrar de como os seus avós se apresentavam na faixa dos 40 anos”, compara. “Já no campo emocional, a extensão da longevidade engloba uma série de limitações e isolamentos, que refletem diretamente na qualidade de vida”, pondera. “Não sei dizer se existiria mais felicidade por se viver mais tempo, pois isso dependeria do amadurecimento do indivíduo como ser. Isso ainda está em observação, por ser um processo muito recente.”

O gerontólogo analisa: “Pela evolução da ciência e da medicina, se superássemos definitivamente as patologias cardiovasculares e as neoplasias – as duas principais causas de óbito na terceira idade –, nossa expectativa de vida se estenderia a, pelo menos, 120 anos”.

Cérebro são em corpo são

O principal causador do envelhecimento humano está dentro das nossas células. Em seu constante processo de divisão, pequenos fragmentos de DNA podem se perder. “Deste modo, a célula resultante não consegue se preservar ou ser uma cópia fiel da originária”, observa o especialista. “Poderíamos acumular mais anos de vida com saúde se, por exemplo, estas células resultantes não provocassem o desenvolvimento de doenças.”

A demência é outro desafio para a medicina contemporânea. “O estágio atual de conhecimento científico ainda não é capaz de evitar por completo esta situação. Você pode mitigá-la, mas não preveni-la.”

O que é possível fazer é dedicar-se a nutrir outros aspectos do corpo, sobretudo a partir dos 40 anos. Controlar o estresse por meio da mindfulness (técnica de meditação por meio da atenção plena); realizar exames preventivos; praticar atividades físicas; levar uma vida regrada, sem exageros; e optar por uma alimentação balanceada são recomendações do doutor Guaraci.

“Sugiro, inclusive, a chamada dieta mediterrânea”, indica. Este é o padrão alimentar seguido por alguns povos da bacia do Mar Mediterrâneo, particularmente da Grécia, Portugal, Turquia, Espanha e sul da Itália. O menu é rico em frutas, legumes, cereais, azeite e peixes, ajudando até mesmo a preservar o tamanho do cérebro ao longo da vida. Os nutrientes provenientes destes alimentos podem prevenir doenças neurodegenerativas e cardiovasculares; redução da perda de massa óssea em casos de osteoporose; retardar o declínio cognitivo; prolongar a expectativa de vida em adultos mais velhos e até mesmo auxiliar na manutenção de um peso saudável.