Bullyng nas escolas e no ambiente de trabalho faz aumentar procura por cirurgias reparadoras

Enquanto para muitas crianças voltar às aulas é motivo de alegria, de rever os amigos, a professora, brincar e se divertir, para outras significa voltar à tortura, humilhação, chacotas e isolamento. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), cerca de 65% das cirurgias de correção de “orelha de abano” são motivadas por bullying, seja na escola, com crianças e adolescentes, seja no ambiente de trabalho, entre os adultos.

E embora as “orelhas de abano” não estejam associadas a problemas de audição, muitas pessoas manifestam logo cedo o desejo de corrigir a imperfeição para se livrarem de possíveis chacotas. A otoplastia é uma intervenção simples, com risco muito baixo e pode ser realizada com anestesia local e sedação. A cicatriz é, normalmente, imperceptível. Só em 2015 foram realizadas mais de 48 mil otoplastias, segundo a SBCP. Em 2009 foram 31 mil. E o mais preocupante é que a maioria dos pacientes são crianças.

“A orelha é formada por cartilagem – uma espécie de osso com consistência amolecida -, e, se
prestarmos atenção no formato dela, perceberemos que ela possui diversas curvaturas. Quando no processo de formação da orelha as curvaturas não se formam ou ocorre um crescimento exagerado da cartilagem, forma-se a ‘orelha de abano’. A correção se dá por meio da modelagem das curvaturas da orelha e por ressecção do excesso de cartilagem”, explica o cirurgião plástico Eduardo Braga, do Instituto Braga, de Sorocaba (SP).

O especialista reforça que, de fato, o bullyng é um dos principais motivos da procura pelo procedimento, além da vaidade que chega com a adolescência. “Em julho, a procura aumenta bastante por causa das férias escolares. Crianças a partir dos cinco anos de idade já podem se submeter ao procedimento, porque a formação da orelha já está completa.”

Eduardo Braga explica que a recuperação é mais simples do que se imagina. “O paciente apresenta pouca dor no pós-operatório e não há necessidade de internação hospitalar. Geralmente, pode voltar às atividades em cinco dias, devendo apenas utilizar uma faixa para dormir durante um mês.”

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