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Há quem nos conheça melhor que nós mesmos? Sim!

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No último Ponto de Hoje, paramos no momento em que afirmávamos que aquilo que realmente está à venda nas redes sociais somos eu, você e todas as pessoas que criaram esse tipo de dependência à conexão.

As redes sociais não estão nem um pouco interessadas nos anúncios, ou nas parcas verbas (na régua deles, claro) que eles atraem. O que elas têm de mais valioso não são apenas os seus dados, mas também a previsão de como você reagirá a estímulos audiovisuais.

E, acredite, isso vai muito mais além do que ouvimos falar até então.

O que as redes sociais têm (e isso vale ouro para toda e qualquer empresa que quer vender algo) são as previsões, cada vez mais apuradas, das nossas reações.

O que elas fazem é construir modelos para essa finalidade – ou seja, prever o que faremos e como reagiremos diante de determinados estímulos.

Tudo é minuciosamente planejado para que passemos cada vez mais horas conectados. Das cores dos fundos de tela até a facilidade de mover o dedo e navegar pelos layouts, tudo visa a uma única situação: ficarmos cada vez mais tempo enfronhados nas redes sociais.

Tudo o que elas querem – e precisam – é ganhar a nossa atenção.

E como elas conseguem isso?

Usando as iscas certas para nos manter conectados. É assim que elas estão nos conhecendo cada vez mais e melhor.

E, nessa missão, vale tudo.

Duvida? Então, me responda: você consegue, por exemplo, se desconectar quando vê que alguém está digitando uma resposta a uma mensagem sua? Ou, então, por que será que aquela foto em grupo, quando vai ser postada, já vem com a sugestão de marcar quem aparece nela? Afinal, é praticamente irresistível marcar fulano e sicrano, fazer um check-in e, claro, ver quem marcou você nas fotos deles.

A teia da conectividade é enorme. As redes sociais utilizam um mecanismo conhecido como tecnologia persuasiva, que consiste em fazer nossa mente reagir de forma predeterminada.

A psicologia experimental mostra que a percepção tem um limite. Isso explica por que tão poucos apelos sensoriais chegam à consciência. A área do cérebro que está sendo estimulada é a mesma usada pelos mágicos nos truques de ilusionismo.

As conversas (sim, os áudios são captados mediante algumas chicanes jurídicas), o tempo que você fica observando determinado tipo de imagem, as palavras que você mais usa, enfim, todo esse mapeamento comportamental e todas as nossas reações vão alimentando um enorme banco de dados, que, um dia, saberá mais sobre nós do que – veja só – nós mesmos!

Por isso, penso que daí para a manipulação dos nossos desejos – de compra, por enquanto – será um pulo.

É também por esse motivo que, quando se discute tanto as fake news, acredito que nossas autoridades deveriam estar discutindo o verdadeiro oxigênio que dá vida a elas.

Estão olhando o grão de areia, quando têm o mar inteiro para ser observado.

Incompetência, ingenuidade ou interesse oculto?