Você está à venda nas redes sociais – e nem sabe disso

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Estamos aqui para mais um “O Ponto de Hoje”. Alguns dias atrás, falamos sobre a questão da regulamentação das redes sociais, que corre pela Câmara dos Deputados, Senado e STF.

Na ocasião, nós, que somos totalmente contrários às fake news (como qualquer pessoa de bom senso o é aqui neste país), tivemos uma preocupação que ainda nos acompanha: quem fiscalizará o fiscalizador das fake news?

Essa pessoa terá muito mais poder do que as próprias redes sociais têm, hoje, da capacidade de induzir a erros. Isso é uma preocupação que tange todo o meio corporativo e, sobretudo, quem cuida das comunicações das empresas.

Como era de se esperar, o tema rendeu diversos comentários. Nós recebemos muitos feedbacks – alguns positivos, outros contrários, como era esperado, já que esse tema mexe muito com a nossa categoria e a questão da comunicação corporativa.

Mas tem um detalhe muito importante: as redes sociais deixaram de ser uma ferramenta para nos tornar (nós, pessoas e empresas) as ferramentas delas.

Por conta disso, decidimos fazer alguns programas “O Ponto de Hoje” abordando justamente essa questão: quem está servindo a quem e por quê?

Nós tentaremos, nessa série de programas, não embarcar na mesmice (isto é, falar coisas que você já sabe, como, por exemplo, a importância das redes sociais, a coleta e venda de informações etc.).

Em alguns pontos do mundo, tem se levantado questões muito importantes, que estão vindo de ex-CEOs das grandes empresas envolvidas nesse campo das redes sociais, incluindo do Google e Facebook.

Por isso, nós chamaremos essa série de “Nós vivemos na era da desinformação?” e vocês já entenderão o porquê desta provocação.

Já neste primeiro episódio, abordaremos um ponto central: “O que realmente está à venda nas redes sociais?”. Engana-se quem pensa que o que está à venda são esses produtos e serviços que recebemos “aos quilos”, todas as horas que abrimos as nossas redes sociais.

Não é isso que está sendo vendido, mas sim eu, você e o resto do mundo que tem suas contas em Instagram, Facebook, LinkedIn etc.

Veja bem, erra quem pensa que um anúncio em uma rede social, que consegue atingir milimetricamente, como se fosse uma mira a laser, o público que interessa ao anunciante, custaria tão pouco.

Porque, de fato, custa muito pouco fazer um impulsionamento de um anúncio em uma rede social.

Mas o ponto aqui é outro.

Volte ao tempo antes das redes sociais e pense o seguinte: quando uma empresa queria lançar em nível nacional o seu produto ou seu serviço, para poder atingir os consumidores, o que ela tinha que fazer? Tinha que buscar, por exemplo, uma rede de televisão com alcance nacional, escolher os melhores programas que se adaptassem ao que estava sendo vendido e investir o dinheiro.

O Fantástico, da Rede Globo, é um bom exemplo. Ele é um dos espaços publicitários mais caros que há.

Se não me falha a memória, para anunciar durante 30 segundos, o valor gira em torno de R$ 1 milhão.

A empresa que queria lançar seu produto/serviço em âmbito nacional escolhia o Fantástico para isso. Logicamente, um programa como este atinge um público eclético, abrangendo também quem não interessava para a empresa (outros gêneros, classes sociais e econômicas, outras faixas etárias etc.).

Era um tiro de canhão que custava 1 milhão de reais. Um único disparo que acerta uma camada grande e, dentro dessa camada, existe uma parte que é o público-alvo.

Em resumo, você atinge uma parte do seu público nesse único tiro e, ao mesmo tempo, uma parcela bastante significativa de quem não está nem aí para o peixe que você está vendendo.

E as campanhas off-line pedem que você segmente seu anúncio e que não vise apenas um programa, uma mídia, uma só rádio, um só outdoor e afins.

Com isso, as campanhas publicitárias chegavam a valores milionários para atingir o retorno que se esperava.

Justamente é nesse contexto que eu falo sobre o fato de as redes sociais terem se tornado muito baratas. Hoje, você pega para impulsionar um anúncio em uma rede social e se torna capaz de mirar pessoas com as características exatas que desejar – tudo isso, pré-determinado e com um valor muito mais baixo.

Veja essa dicotomia, essa relação ambígua: você tem algo muito mais assertivo pagando muito menos e, por outro lado, tem uma mídia off-line que custa valores altíssimos. Não estou dizendo que ela não dê retorno, só estou fazendo essa comparação da assertividade, que é o que nos interessa em termos de comunicação.

É por isso que, no próximo “O Ponto de Hoje”, abordaremos o porquê de o anúncio em redes sociais custar tão pouco.

Até onde eu sei, nenhum dono de rede social, esses multibilionários, criou alguma ONG para ajudar as empresas brasileiras ou de qualquer parte do mundo.

Eles têm um interesse enorme por trás e, se você for destrinchar esse tema, ele se torna um pouco mais preocupante. É aí que eu vou tentar lançar um pouco mais de luz, gerar um pouco mais de reflexão sobre o tema.

Você descobrirá que o produto que realmente está à venda somos eu, você e todos nós.

E mais: