Falecimento do professor Antonio Rozas entristece diversas gerações de médicos

O falecimento do obstetra Antonio Rozas, aos 90 anos, ocorrido em às 22h30 de ontem (21/2) entristeceu a comunidade médica local. Durante cerca de 40 anos, ele atuou como docente da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde (FCMS) da PUC-SP, em Sorocaba, contribuindo na formação de milhares de médicos. Seu corpo foi velado no Anfiteatro Gelson Kalil, da faculdade, entre 12 e 16 horas, e sepultado no cemitério Pax.

Graduado no curso de Ciências Médicas pela Universidade Federal de São Paulo, em 1956, Rozas doutorou-se em Medicina pela PUC-SP em 1970, universidade na qual lecionou como professor titular da área de Obstetrícia.

Sua dedicação à formação dos alunos de Medicina e seu trabalho no Ambulatório do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) e no Hospital Santa Lucinda foram reconhecidos por diversas vezes, como em julho de 2014, quando o hospital inaugurou o Pronto-Atendimento Obstétrico, que foi batizado com o seu nome. O espaço funciona até hoje e atende gestantes que utilizam o Sistema Único de Saúde (SUS). A Liga de Ginecologia e Obstetrícia (GO) do curso de Medicina também leva o seu nome.

Declarações

O diretor da FCMS, professor Godofredo Campos Borges, comenta: “Rozas foi um exemplo de professor e de ser humano, além de uma pessoa extremamente querida por todos da faculdade. Ele ensinou muito aos ginecologistas e obstetras deste país. Para mim, foi uma honra tê-lo tido como professor e companheiro nesta profissão. Ele deixa uma lacuna que, dificilmente, será reparada ao longo dos anos. Realizar o seu velório nesta faculdade, que ele tanto amava, prestando nosso último adeus, nos confortou um pouco neste momento tão triste”.

Já o professor Luiz Ferraz de Sampaio Neto, docente da disciplina de GO e ex-diretor da FCMS, recorda-se do antigo mestre desde sua infância. “Frequentava a casa dele por conta de ser amigo do seu filho e pelo fato de ele ser amigo do meu pai. Tínhamos uma relação muito próxima. Eu também admirava muito a sua falecida esposa, dona Maria do Carmo”, relembra.

“Teria muito a falar sobre ele. Era uma pessoa admirável, excelente como profissional e como pessoa. Um grande professor, que criou gerações sucessivas de médicos ginecologistas e obstetras. Sempre priorizava o paciente e trabalhava eticamente, sempre atualizado. Sabia reconhecer o talento dos mais jovens. Em resumo, tinha todo o perfil de um professor universitário e de um médico de excelência. O professor fará muita falta. Fico muito triste com seu falecimento, mas tenho certeza de que está bem acolhido onde se encontra agora.”

A coordenadora acadêmica do HSL, doutora Cibele Rodrigues, lamentou muito pela perda do ex-professor, colega de profissão e amigo. “Na companhia do professor Bussâmara Neme [referência nacional da especialidade e ex-docente da FCMS], ele formou uma legião de alunos da nossa faculdade. Mesmo entre os que não fizeram GO, sempre foi considerado um mestre, na melhor concepção da palavra. O professor Antonio Rozas era ético, humano e competente. Ele tinha a capacidade de juntar a clínica à obstetrícia. Tinha profundo conhecimento das doenças que podem acometer as gestantes, de tal forma que as via como um ser integral”, enaltece. “Foi e continuará sendo um exemplo para todos nós, sempre demonstrando amor à profissão e ao ensino”, finaliza.

Maria Júlia cursa o sexto ano de Medicina e, em 2020, presidiu a Liga de GO. “Gostaria de ter tido a oportunidade de poder presenciá-lo ativamente como docente, pois, em meu segundo ano de faculdade, quando entrei na liga de GO, ele já havia se aposentado. Porém, mesmo sem ter tido aula com ele, posso dizer que foi um grande mestre para mim, visto que foi um exemplo e participou ativamente da formação dos meus professores, que seguem proferindo seus ensinamentos. Posso afirmar que o professor Rozas deixou sua marca na Ginecologia e Obstetrícia e que nós, alunos da Medicina de Sorocaba, temos a grande honra de poder seguir seus ensinamentos.”

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